A Coca-Cola não assina contrato com amadores: o case Bruna Tavares explicado

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Laísa Sandin

12/17/20252 min read

Antes da BT existir como marca de beleza, a Bruna Tavares já era uma referência no universo beauty. Antes do CNPJ, do laboratório e das collabs globais, havia um blog, um canal no YouTube e uma decisão clara: crescer com pessoas, não com fornecedores.

No Pausa para Feminices, Bruna construiu algo que hoje muitas Beauty Brands DNVBs tentam replicar, mas poucas compreendem de fato: comunidade como ativo estratégico. Em um momento em que o mercado de marcas de beleza ainda estava em formação, ela chegou a pedir batons como forma de pagamento para continuar criando conteúdo. Não como tática de marketing, mas como consequência de uma relação genuína, onde a troca vinha antes do dinheiro.

Outro ponto pouco observado é que, diferente da maioria das influenciadoras de beleza, Bruna demorou para se colocar no centro da narrativa. Durante muito tempo, o foco não era a criadora, mas o tutorial, o produto e o aprendizado compartilhado. Ainda assim, ou talvez exatamente por isso, uma comunidade forte, leal e engajada se formou muito antes de falarmos em comunidade como pilar de crescimento de marca.

Foi desse lugar que a BT nasceu como Beauty Brand. Não de uma tendência de mercado, nem de um fornecedor ou laboratório terceirizado, mas de confiança acumulada ao longo do tempo. A marca surgiu como uma extensão natural de uma relação já existente, construída com consistência, escuta e troca contínua com sua comunidade.

Hoje, a BT é um dos principais exemplos de marca de beleza nativa digital no Brasil. A aquisição pela Kiss New York e as collabs com Disney e Coca-Cola não são fruto de sorte ou timing isolado, mas consequência direta de um ecossistema de confiança que já estava estabelecido. Quando o produto chega, ele já encontra demanda, expectativa e pertencimento.

É exatamente aqui que muitas marcas de beleza DNVBs erram. Tentam começar pelo crescimento acelerado, quando deveriam começar pela relação. Investem primeiro em fornecedores, mídia e escala, acreditando que a comunidade virá depois. Na prática, é o oposto. A comunidade é o que viabiliza o crescimento sustentável da marca.

Marca de beleza não começa no laboratório. Começa na conexão. Comunidade não é o resultado final do crescimento, é a base que sustenta cada etapa dele.

Talvez, então, a pergunta mais importante para fundadores e gestores de Beauty Brands DNVBs não seja quando a sua marca vai crescer, mas quem está crescendo com você hoje.